Category
30/05/2017

Mobile first

Dispositivos móveis estão cada vez mais sofisticados e presentes em nossas vidas. Ainda assim, muitas vezes eles não recebem a devida importância durante o processo de criação e desenvolvimento de nossos sites. Dotados de características específicas, requerem atenção especial para que ofereçam a melhor experiência possível a seus usuários. Foi nesta busca por otimização que nasceu o mobile first: o foco na experiência do usuário em dispositivos móveis.

Já esclarecendo: mobile first não é uma nova tecnologia. Mobile first é um conceito, uma quebra de padrões, vícios e paradigmas que foram adquiridos no decorrer dos anos, enquanto o pensamento sempre esteve voltado para aplicações desktop. Além de tudo, é uma estratégia e um jeito diferente de enxergar o conteúdo que realmente importa em um site.

O que muda em um desenvolvimento pensado como mobile first?

Ao contrário da forma com que historicamente vínhamos trabalhando, focados na experiência de navegação em um computador de mesa ou notebook (e a versão para dispositivos móveis era feita na base do improviso), quando pensamos em mobile first, todas as etapas até a publicação de uma aplicação são feitas com foco no mobile, desde o UX, passando pelo design e desenvolvimento e finalmente chegando à redação de conteúdo.

Dispositivos móveis tem features incríveis que podem ser usadas para proporcionar uma experiência de navegação e interação superior, levando a um nível que, ao menos não tão cedo, o desktop não poderá proporcionar. GPS, giroscópio, multitouch e acelerômetro, por exemplo, são funcionalidades que podem enriquecer (e muito!) a experiência do usuário.

Certo, mas isso é realmente necessário?

Uma espiada rápida em estatísticas de uso da internet mostra o rápido crescimento dos números referentes ao uso de dispositivos móveis (no Brasil e no mundo), como tablets e celulares, e também de conteúdo e apps feitos para esses dispositivos.

Acesso a Internet no Brasil - banner

 

O celular é o meio de acesso à internet mais usado no Brasil

Uma pesquisa realizada em 2014 e divulgada em 2016 pelo IBGE, mostra que pela primeira vez os celulares passaram os computadores de mesa no acesso a internet pelos brasileiros. [Fonte]
 

Pagamento de contas pelos celulares

Ainda no Brasil, cerca de 45% das pessoas usam o smartphone para pagamento de contas básicas como água e luz, um dado de 2015. Outro dado interessante é de que cerca de 7 milhões de brasileiros acessa a internet apenas pelo celular. [Fonte]

Recentemente, o WhatsApp anunciou que está avaliando a possibilidade de permitir pagamentos através de seu app. [Fonte]
 

Tráfego apenas pelos celulares

O tráfego em sites utilizando smartphone cresceu 600% em 2010. [Fonte]
 

Aumento na venda através de dispositivos móveis

Em 2015, no Brasil, as vendas através de dispositivos móveis cresceram cerca de 20%. [Fonte
 

Maior número de acessos "mobile only"

Em uma visão global, o cenário não é muito diferente: em 2015 o número de acessos à internet "mobile only" ultrapassou os números de acesso "desktop only" em pouco mais de 1%.  [Fonte]
 

Em média, checamos o celular 150 vezes ao dia.

Junte a isso com o fato de que a maior parte das pessoas checa o celular dentro de 15 minutos após acordar. O celular e, em especial, as notificações push, se tornaram o novo "horário nobre". [Fonte]

O celular vem se tornando uma extensão de nossa mente, usamos ele pra praticamente tudo e dispomos de atenção para ele virtualmente o tempo todo. 

Ainda não estou convencido. Por que eu devo mudar minha forma de conceber sites e pensar "mobile first"?

 

Content First

1 – Conteúdo realmente relevante

Via de regra, o usuário que visita seu site ou aplicação está ali pelo conteúdo, não pelo design, código ou qualquer outra coisa. Se a criação de conteúdo em si já apresenta desafios diversos, quando passamos para uma área de leitura muito mais limitada, o desafio se torna ainda maior. Dispositivos móveis não deixam espaço para conteúdo irrelevante, sendo primordial fornecer uma comunicação concisa e coesa, para que o seu público-alvo tenha fácil acesso ao que realmente importa.

2 - Arquitetura da informação pensando no worst-case scenario

Uma coisa que ainda se pensa muito sobre responsividade e mobile first é que isso é uma adaptação que deve ser feita somente no processo de desenvolvimento, fazendo com que muitas premissas de mobile first não sejam cumpridas, pois isso não é verdade. O processo criativo é tão importante quando o desenvolvimento quando iniciamos a construção ou adaptação para criar algo realmente mobile first.

Organizar a informação para dispositivos móveis é um desafio, e por isso deve ser feito primeiro. A tela menor que o monitor, a área de toque dos dedos maior que do ponteiro do mouse e a falta de um ponteiro para demonstrar possíveis interações (hover), são alguns dos motivos que tornam a arquitetura da informação para dispositivos móveis um desafio. Menus dropdown, o floating button ou o famoso menu drawer do material design são soluções criadas visando solucionar problemas de poluição visual em dispositivos móveis.

Uma vez concebida uma solução que funcione bem em um device móvel, esta pode ser facilmente adaptável a um dispositivo com tela maior.

3 – Conexões 3g/4g limitadas = máxima preocupação com performance!

Imagine um cenário onde, no celular, algumas informações que estão presentes no desktop não serão exibidas. O caminho mais curto seria esconder no celular esse conteúdo, a estética estaria resolvida, problema solucionado, certo?

Errado. Essa abordagem fará com que o dispositivo móvel carregue todo o conteúdo e depois o esconda, fazendo com que justamente o device que tem menos recursos de processamento e acesso a internet tenha que baixar coisas que não serão vistas e, de forma alguma, aproveitadas.

A abordagem correta neste caso (onde o device móvel e desktop diferem em conteúdo) é fazer uma exibição progressiva, mobile first. Isso significa que, em vez de esconder em mobile o que não será utilizado, o componente será inserido apenas na versão desktop, evitando assim o desperdício de poder de processamento e alguns kb do precioso plano de dados do seu usuário.

Se isso não for possível, deve-se ao menos fazer com que o conteúdo esteja naturalmente escondido e depois fazer com que o desktop o exiba, evitando assim processamento desnecessário de renderização por parte do celular.

4 – Maior SEO

Uma atualização no crawler do Google, feita em 2015, dá prioridade a sites que sejam feitos pensados para dispositivos móveis. Depois desse update, o famoso buscador (que foi um dos primeiros a apresentar uma proposta envolvendo mobile first), prioriza para seus usuários conteúdos otimizados para celulares, e isso não vale somente se este está realmente buscando por um dispositivo móvel, sites otimizados para celulares ganham relevância mesmo quando buscados por computadores de mesa. [Fonte]

5 – Tudo isso, sem custo adicional, muito pelo contrário

É comum o receio por optar por mobile first, pois imagina-se que será mais caro. Isso não é verdade!

Um projeto pensado como desktop first geralmente custa mais caro, pois tende a gastar todos os recursos para uma versão desktop e depois ainda exige esforço adicional para uma versão mobile. E aí acaba saindo ainda mais caro, pois essa adaptação exige esforço. Já um projeto mobile first, tende a administrar bem os recursos para construir algo para o celular e depois gastar essa economia em uma versão enriquecida para desktop, neste fluxo, a adaptação é muito mais fácil e exige bem menos esforço. [Fonte]

Há de se pensar também que, nas vezes onde o design responsivo for bem aplicado, não exigirá mudanças para telas maiores. 

Mobile First

Conclusão

Os dispositivos móveis vieram para ficar: Eles conquistaram seu espaço e as pessoas que, em sua maioria, preferem o celular para acessar a internet e interagir socialmente (o que só tende a aumentar mais, nos próximos anos). Não há mais espaço para falhar, e sites que não levarem isso em consideração perderão acessos e clientes.

Ao fazer mobile first, não só nos adaptamos a esta realidade, oferecendo experiência, performance e conteúdo otimizados para nossos usuários, mas evoluímos cada vez mais este conceito, nos preparando para os novos cenários e desafios que a sociedade e a tecnologia irão criar. 

Category

Adicione um novo comentário